A MULHER SUPERSTICIOSA
Nos Fins da década de setenta, Breves era uma cidade pequena rodeada de matas, seus moradores levavam uma vida simples e pacata, qualquer novidade que acontecia, era comentada por todos por vários dias e a mais conhecida era sobre uma mulher coberta de andrajos que perambulava pelas ruas, com o olhar perdido no espaço, horas falava palavras desconexas, em outros momentos gritava horrorizada: parecia que seres infernais a perseguiam.
Diziam que sempre fora uma mulher estranha. Tinha os cabelos compridos e negros, nariz adunco e olhos estrábicos. Quem a conhecia falava que era cheia de superstições. Não limpava a mesa depois das refeições para não desagradar a mãe da miséria, contava ela que: sempre a meia noite almas penadas saiam do cemitério em procissão e iam até a igreja matriz, levavam nas mãos em lugar de velas, ossos que queimavam deixando no ar um fedor nauseante, se algum desavisado estivesse na rua e visse o inusitado cortejo, transformaria-se também em alma penada.
Nenhuma criança da redondeza mexia nas frutas de seu quintal: tinham medo de ficar com a pele manchada, pois seu pomar era curado dizia ela. Toda a segunda feira à tarde, ia ao cemitério, só voltava de lá quando o dia começava a se misturar com a noite. Contava padrinho Domingos que certa vez voltando de um de seus passeios da segunda, a mulher começou a dar gritos pedindo socorro.
A vizinhança correu para vê o que estava acontecendo entraram e viram a pobre mulher encovada em um canto da sala: com olhar esbugalhado dizia entre palavras entrecortadas que havia um fantasma no quintal. Alguns curiosos mesmo com medo foram verificar o que estava acontecendo nos fundos da casa.
O espanto foi geral, pois no varal um lençol dançava com uma brisa morna de verão a luz do luar. Então, a partir desse acontecimento a pobre mulher nunca mais voltou a ser a mesma.
Mariúza Carvalho: produzido em 16 de agosto de 2010


O conto me fez refletir sobre um estado de miséria, que infelizmente nos dias atuais podemos encontrar nas mais diversas localidades do Brasil.
ResponderExcluirÉ interessante observar nesse conto o quanto a cultura de um povo fica arraigada e perdura por gerações.
Eis a prova viva de um povo que traz em sua tradição cultural o imaginário e o fantástico...E a literatura, enquanto arte, nada mais tem a fazer a não ser render-se e embeber-se dessa fonte da qual jorram RIOS nos quais navega a viva história de um povo que revela sua cultura desa forma tão mítica e tão encantadora...
ResponderExcluirCLARA MARIA
Quando chegamos à cidade Breves, achamos tudo muito bonito, sem saber que por trás de tudo isso houve muita luta.Esta narrativa conta início de uma conquista, como era esta cidade, como está, e como será seus futuros avan-ços, que estão chegando pouco a pouco, marcas da globalização. A lenda que a autora Mariuza relata, nos faz lembrar das lendas urbanas, link http://vultosnanoite.vilabol.uol.com.br/lendas.htm, que já existem nos outros estados, e Breves tem as suas lendas, que precisam ser apresentadas para os amantes do Marajó. Parabenizo a autora e a equipe por desenvolver um blog que irá contar muito mais do saber marajoara
ResponderExcluirGostei muito do conto. nunca pensei que existisse na turma uma escritora tão talentosa! É bom saber que o povo Breves cultiva a tradição e a cultura do imaginário e do fantástico do Marajó. Parabéns para a equipe!
ResponderExcluirParabenizo pelo conto. Lembrei das estórias que os mais velhos contavam quando era criança como( a lenda do boto e a loira do cemitério) morria de medo.
ResponderExcluirRafaela Glória, Curvelo-MG.
Querida amiga fico feliz de ler seu conto em um blog,sempre gostei muito dos seus textos. Gostaria de ver também o conto da Loira Misteriosa da árvore da Cosanpa.
ResponderExcluirAlba Cirino
eu gostaria de saber a lenda da loira misteriosa da cosanpa
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